Quartos de vinte e quatro

Seis ao meio dia

Na pele

Sol já ardia

Meio dia às seis

Sufoca

Ar se vai de vez

Seis à meia noite

Tranquilo

Hora do amoite

Meia noite às seis

Respira

E começa outra vez

mundo

Descobrir o mundo

antes do mundo te descobrir.

Rodar o mundo

antes do mundo te atropelar.

Aproveitar o mundo

antes do mundo se aproveitar de você.

Aprender com o mundo

esperando que o mundo aprenda com você.

Segurança é tudo

Ser o vocalista da maior banda de metal de todos os tempos, que desde 1982 está na ativa e já vendeu mais de 22 milhões de ingressos em shows ao redor do mundo te dá algumas certezas e alguma segurança.

Uma das versões de um Meme que diz muito

Seu figurino ser todo preto, vá lá… limitado. Faz parte da identidade da banda. Parou por ali.

Mas não consigo deixar de olhar para o jovem head banger com pena. De lembrar de mim mesmo com certa vergonha. De fazer relações com o mundo de hoje e extrapolar o binômio Metal – Roupa.

O medo de externar insegurança faz o cara rapaz vestir preto e couro o tempo todo. Seria o mesmo medo e insegurança que faz o cara dizer que é macho o tempo todo, de querer gay longe dele e da família, de repelir certas temáticas das conversas, de achar que na escola não de deve tratar de assunto A ou B, etc, etc, etc?

Seria o típico reaça esse patético metaleiro em busca de um carinho?

teve um dia…

Teve um dia, uns dias atrás, que o pneu furou

Teve uma noite, uma noite dessas, que eu consertei

Teve um dia, seguinte da noite, que eu testei

E funcionou

E fomos pra terra

Saímos da Terra

Duas crianças

Quatro pedais

Pra esquecer da guerra

Rodas – giros – terra

Longe – virus – Terra

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A escolha do foco

Cortina de fumaça.

Desvio de atenção.

Fake News.

Excesso de informação.

Publicidade infantil.

Notificação recebida pelo telefone.

Grupo da família no zap.

Etc. Etc. Etc.

Anda complicado manter o foco.

Ta difícil até entender o que é efetivamente importante, já que a maioria dessas coisas listadas acima não são distrações ocasionais, mas elementos plantados em nossas rotinas.

Há cerca de 3 anos desisti do facebook.

Vivo entrando e saindo do twiter.

Limpo os grupos do zap de tempos em tempos.

Nada parece funcionar. Sempre parece que ainda estou alheio. Que ainda estou distraído. Que ainda estão me tirando o foco e me tirando do mundo.

Nada me da sensação maior de estar dentro do mundo e conectado (veja que irônico) do que uma conversa olho no olho e a leitura de um livro.

O que promete conexão não me entrega.

O que nada promete me recoloca no mundo.

As coisas importantes

O que importa?

Como pai, faço essa pergunta uma porção de vezes. Geralmente meu próprio filho me chama, pede minha atenção e eu acabo não conseguindo responder. Nem em pensamento.

Hoje eu pensei mais.

Em meio à pandemia do Corona vírus, em casa com ele todos os dias, fazendo lição, jogando, brincando, lendo, brigando, tudo parece mais intenso, mas tem coisa que está mais clara.

O importante é o tempo.

O tempo juntos, sim. Mas o tempo das coisas.

O tempo das coisas acontecerem.

Esse vem sendo meu desafio maior, mas sinto que, compreendendo e assumindo o tamanho da encrenca, consigo dar conta.

Tenho que dar tempo para as coisas acontecerem.

Tenho que dar tempo para ele.

Ele tem que respeitar nosso tempo.

Estamos indo bem com isso e olhando para os últimos 45 dias, a evolução é brutal.

Lembro quando aos 18 anos fui morar em república e aprendi a conviver verdadeiramente com os outros.

Estou muito triste com o rumo das coisas. Com o rumo do mundo.

Estou adorando dividir a república com meu filho.

Depois de alguns anos

Depois de alguns anos voltei.

Pensei em voltar hoje a tarde, quando não choveu.

Pensei em voltar e em escrever mais.

Escrever, inclusive, que não choveu.

E de verdade… Não choveu.

 

O Pobre Garoto de 14 Anos Que Entrou na Faculdade

maxresdefaultNão é a notícia da semana. A mais fresquinha. A mais quentinha.
Faz umas duas semanas que diversos veículos divulgaram a história do José Victor, garoto de 14 anos que mandou muito bem no ENEM e obteve pontuação suficiente para entrar em Medicina na Federal de Sergipe.

Lendo as noticias eu só conseguia pensar nos meus anos de faculdade e do quanto amadureci em ritmo estupidamente acelerado naquele período. O primeiro ano foi algo surreal. A diferença de contexto do Ensino Médio para o ambiente Universitário é brutal e o baque tem que ser assimilado rápido. Faz parte do crescimento e faz parte do momento de término de um ciclo e início de outro.

Mas “péra só um pouquinho”…

José Victor não encerrou seu ciclo.

José Victor não amadureceu.

José Victor talvez não esteja pronto.

José Victor respondeu corretamente um monte de perguntas e fez uma bela redação. Mas ainda é só isso.

Para um moleque claramente inteligente e capaz como ele é, qual será a vantagem de antecipar em (no mínimo) 4 anos sua maturação, pulando etapas importantes do processo? Não vejo nenhuma, mas vejo muitas desvantagens.

Virar diretor de uma empresa ou de uma escola aos 45 ou aos 49 pode não ser tão diferente, mas ingressar na universidade aos 14 ou aos 18 faz. A primeira festa que ele poderá participar será perto da formatura.

É como se eu quisesse que meu filho de 2 anos iniciasse o processo de alfabetiza…

…Opa. Entendi.

É isso. É o mesmo processo.

Muita gente, hoje em dia, acha que a criança tem que engatinhar aos 4 meses, engatinhar aos 9, fazer um discurso de agradecimento aos presentes em seu primeiro aniversário, dominar os gadgets, nadar, dançar, interpretar, falar 3 línguas e lutar judô. Tudo antes dos 10.

Pra que mesmo?

Não sei mas o pessoal começou a acelerar e aceleramos também. Quando percebemos já havíamos extrapolado o limite de velocidade em muito, estávamos bem mais rápido do que era permitido, mas o limite foi alterado e continuamos acelerando. Dá um medo de ficar pra trás, sabe?!

Não sei, também…

O que sei é que muita gente neste momento deve levantar a bandeira da capacidade e do mérito do José Victor (inegáveis) e que em virtude disso ele teria que seguir adiante, acelerando, para utilizar todo seu potencial. Eu realmente concordo com isso, mas considero a abordagem escolhida para o “seguir adiante” equivocada.

Não seria melhor cursar o Ensino Médio inteiro e paralelamente mergulhar em um programa complementar que desenvolva habilidades de pesquisa, lógica, programação, trato com dados estatísticos, tecnologia, esportes e o que mais ele goste de estudar?

Competência parece sobrar ali. Exatamente por isso ele pode investir em qualidade e calma e não precisa estar preso aos conceitos de quantidade e pressa.

O tradicional linguajar esportivo – na maioria das vezes simples e sábio – tem uma expressão para essa situação: “estão queimando o garoto”.

Espero que não, espero que ele seja competente a ponto de minimizar toda a distorção e se manter são. Mas acho que vai dar um trabalho acertar essa cabeça nos próximos anos.

E se o Vestibular/Enem fosse só uma parte da seleção?

gabaritosFacebook repleto de alunos e ex-alunos postando suas conquistas, suas aprovações, relatando os perrengues e deixando a mensagem final de que valeu a pena.

Claro que valeu. Parabéns, moçada.

Educadores, pais e colegas ficam muito felizes nesta hora pois sabem que isso tem a ver com futuro, com possibilidades, mas também com uma fase da vida em que o crescimento e amadurecimento é exponencial. A Universidade é algo especial.

Tão especial que vale, mais uma vez, a crítica ao estagnado processo de seleção que as maiores universidades brasileiras promovem. Vestibulares e o Enem podem ser provas ótimas, mas são provas. Só isso.

E qual o problema de serem só provas?

Provas são capazes de verificar apenas uma parte do nosso desempenho e Universidades (a vida, de forma geral) requerem outras partes também. Grandes Universidades ao redor do mundo sabem disso, e usam testes nacionais como parte do processo de seleção. Nos Estados Unidos e Canada existe o SAT (scholastic assessment test) e vejam o exemplo de Harvard a respeito do teste:

Clique na imagem para acesso à página das perguntas frequentes no site de Harvard.

Não há nota mínima necessária.

É explícito que a média é alta, que eles olham e valorizam essa nota, mas há uma abertura para o cara que não foi tão bem assim no teste, mas reúne outras características interessantes à Universidade. Potencial atlético, histórico empreendedor, destaque em atividades sociais, e assim por diante.

Há envio de currículo. Há entrevista. Há cartas de recomendação.

Obviamente não há sistema perfeito, sem falhas e injustiças, mas me parece evidente que ampliar a análise trás muito mais riqueza para o processo seletivo e aumenta a possibilidade de trazer gente interessante para dentro. Além, é claro, do mecanismo de seleção direcionar os anos anteriores de prática dos estudantes que pretendem um dia ali estudar.

Em outras palavras, o aluno investe seu tempo e esforço em diversas atividades, pois sabe que tudo “conta” na hora de entrar na faculdade. Nosso sistema atual leva a uma triste e comum situação na qual o aluno passa (no mínimo) todo seu ensino médio focado em apenas um tipo habilidade, em enormes quantidades de conteúdos que pouco ou nada serão utilizados em suas vidas e em macetes para realizar os testes.

Desperdiçamos tempo e potencial da molecada.

Temos que pensar – com certa urgência – novas maneiras de identificar os “talentos”. Mais do que isso, precisamos repensar que tipo de habilidades e competências realmente estamos buscando, que tipo de alunos precisamos, que tipo de cidadãos ajudarão a sociedade.

O dia em que usei um hijab

Uma experiência, no mínimo, interessante para começar um processo de “se colocar no lugar do outro”. Para se abrir para certos questionamentos. Para pensar em algumas coisas que não havíamos pensado.
Muito legal, Ju…

Juliana Guarany

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Um sábado frio em Berlim. Acho que a ideia não partiu de mim, mas da minha amiga, que havia passado pela experiência. Pelo jeito, estava fazendo perguntas demais, então ela simplesmente enrolou um véu na minha cabeça, “estilo iraniano”, com um pouco do cabelo à mostra, só para eu sentir como seria andar por aí como muçulmana.

veu3_Fotor_CollageA primeira coisa que percebi foi que, num país ocidental, quando uma mulher muçulmana sai de casa, ela necessariamente passa uma mensagem. O hijab virou um estigma de uma fé que tem sido questionada e mal interpretada por muitos que não estão ali envolvidos.

Minha primeira sensação foi medo. Eu moro hoje no país do Pegida, movimento anti-islâmico que tem crescido bastante desde que a crise atingiu o coração da Europa e, depois de Charlie Hebdo, a coisa podia ficar feia ao sair assim na rua…

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Educação, Carreira, Cultura e Bicicleta

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